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Apagando Gaza do mapa: Uma agenda de grandes interesses financeiros. Confiscando as reservas de gás natural marítimo da Palestina
Israel lançou uma invasão da Faixa de Gaza em 7 de outubro de 2023. Conforme previsto com perspicácia por Felicity Arbuthnot há mais de uma década, em artigo de 30 de dezembro de 2013: “Israel está prestes a se tornar um grande exportador de gás e, em certa medida, de petróleo, se tudo correr conforme o planejado.”
No contexto atual, a opção de Israel para que “tudo corra conforme o planejado” consiste em ignorar a Palestina, “apagar Gaza do mapa” e confiscar todas as reservas marítimas de gás natural de Gaza, avaliadas em bilhões de dólares. O objetivo final não se limita a excluir os palestinos de sua terra natal, mas envolve o confisco das reservas de gás natural offshore de Gaza — nomeadamente as descobertas pela British Gas (BG Group) em 1999 e as do Levante em 2013.
Um memorando oficial “secreto” do Ministério da Inteligência de Israel recomenda a transferência forçada e permanente dos 2,2 milhões de palestinos da Faixa de Gaza para a Península do Sinai, no Egito. O documento de 10 páginas, datado de 13 de outubro de 2023, avalia opções para o futuro da população e recomenda a transferência total como preferencial. Sua autenticidade foi confirmada pelo próprio ministério.
O gigantesco campo de gás natural Leviatã, descoberto em dezembro de 2010 no Mediterrâneo Oriental, é frequentemente descrito como “ao largo da costa de Israel”. No entanto, parte dessas reservas se sobrepõe às águas territoriais de Gaza. As descobertas da British Gas em 1999 pertencem à Palestina. Juntas, Gaza e Cisjordânia apresentam as maiores reservas da região, embora muito ainda permaneça inexplorado.
A declaração de guerra de Netanyahu contra a população de Gaza continua uma política de ocupação militar e expulsão. Além dos aspectos humanitários, existem poderosos interesses financeiros por trás da operação, com o objetivo de controlar reservas de gás avaliadas em bilhões de dólares.
Egito e Israel mantiveram negociações secretas sobre a extração de gás na costa de Gaza. A British Gas negociou com Tel Aviv, enquanto o braço civil do Hamas foi ignorado. Um campo descoberto em 2000, a cerca de 30 km da costa, contém mais de 1 trilhão de pés cúbicos de gás. Israel planejava iniciar extração prática no início de 2024.
Geólogos confirmam que o Território Palestino Ocupado possui reservas significativas de petróleo e gás natural, especialmente na Área C da Cisjordânia e na costa de Gaza. A ocupação impede o desenvolvimento desses recursos, gerando perdas acumuladas de bilhões de dólares para o povo palestino.
Declarações de Netanyahu indicam estratégia de fortalecer o Hamas para impedir um Estado palestino unificado. O conflito também envolve acusações de operações de falsa bandeira e divisões internas no Hamas, conforme analisado por Philip Giraldi e Michel Chossudovsky.
Israel, com campos como Leviatã e Tamar, caminha para se tornar grande exportador de gás. No entanto, grande parte da riqueza marítima da Bacia Levantina não está inteiramente sob jurisdição israelense. Reivindicações do Líbano, Síria e Palestina geram disputas. A Síria assinou acordos com a Rússia para exploração em sua costa.
A invasão de 2008-2009 (“Operação Chumbo Fundido”) relacionava-se diretamente ao controle das reservas offshore descobertas em 2000. A British Gas detinha direitos (60%), junto à Consolidated Contractors (30%) e à Autoridade Palestina (10%). Israel contestou a soberania palestina, vetou acordos e buscou controlar o gás via gasodutos para Ashkelon.
Negociações com a BG Group coincidiram com o planejamento da invasão. O objetivo era transferir soberania, militarizar a costa e integrar os campos palestinos às infraestruturas israelenses, conectando-os a rotas energéticas regionais (incluindo potenciais ligações com Turquia e o oleoduto BTC).
O conflito em Gaza não pode ser compreendido apenas pela ótica da segurança. Questões estratégicas de energia, reservas de gás natural offshore e interesses financeiros internacionais desempenham papel central. A análise histórica mostra padrões de ocupação, negociações secretas e tentativas de confisco de recursos que pertencem ao povo palestino segundo o direito internacional.
A tragédia humanitária é imensa, com crimes contra a humanidade afetando tanto palestinos quanto israelenses. Uma solução justa deve respeitar direitos territoriais, soberania sobre recursos naturais e o fim da ocupação.